O pior aconteceu. E Agora?

Autor: Darci Garçon
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De repente, “na rua’. Já testemunhei esse tipo de problema, inúmeras vezes. E também tentei orientar amigos mais próximos para que estivessem preparados e se organizassem para encarar  esse lance mas, nenhuma vez, obtive sucesso. É sabido por todos que,  nos tempos atuais,  todo emprego é temporário. E é incrível como as pessoas não conseguem preocupar-se com o futuro, por mais evidente que ele seja.

Vamos ver um caso recente, de meu amigo JM.

Aos cinqüenta anos, JM,  foi desligado de uma multinacional. Meses depois, já com dificuldades, conseguiu um novo emprego, numa empresa de telecomunicações, onde ficou por  três anos. Nova demissão e agora, está de novo em “transição de carreira”, usando esse eufemismo criado para substituir uma expressão depressiva, que é “desempregado”.

Você foi demitido e não estava organizado para enfrentar essa situação.  E agora?

O primeiro passo  de JM foi o de tranqüilizar a  família, esposa e duas filhas que, sem dúvida, sentiram impacto forte com essa notícia. Procurou fazê-las sentir que, apesar da idade, a sua profissão era sempre requisitada pelas empresas e pelo mercado de trabalho.  Além disso, seu histórico profissional tinha valor e seria reconhecido por um novo patrão.

A preocupação seguinte foi com as despesas de escola,  aluguel,  supermercado,  assistência médica e assim por diante. Como vamos reduzir as despesas? Essa foi a questão proposta e discutida pela família toda, que decidiu suspender imediatamente toda e qualquer despesa supérflua, até que a situação se resolvesse.

Outra preocupação de JM, conhecendo-se muito bem: sua esposa e suas filhas, certamente  se incomodarão  com a mudança de rotina e com a sua presença, por mais tempo, dentro de casa.  Tinha certeza que  começariam a aflorar  probleminhas os quais, sem dúvida, aconteceriam em qualquer  casa, mas que deveriam ser evitados. Não passava por sua cabeça se ausentar e  ficar zanzando pelos bares da região, tomando cervejinha ou jogando dominó com os amigos, desperdiçando o tempo do qual deveria tirar  o máximo proveito.

Com o JM resolveu  preencher o tempo?

  • Atualizando-se. Programou leitura   diária de um jornal para pôr-se a par do que acontece no país e no mundo. Procurando descobrir livros que fossem leitura importante para  adquirir mais conhecimentos sobre a sua atividade. Lendo, pelo menos, uma revista de fim de semana. Abusando da Internet. Sabia que há muita coisa a ser explorada na Internet, desde a possibilidade de ver jornais de outros países, até sites de oferta e de busca de emprego.
  • Praticando uma atividade física. Era um sedentário convicto e nunca tinha feito  nada a esse respeito, portanto, estava na hora de começar. Despendia de uma a duas horas com  caminhadas pelas ruas do seu bairro, também para queimar gordura, melhorar o condicionamento físico, colocar o peso em dia e dar forças à auto-estima.  E também porque essa atividade não tinha custo nenhum, a não ser o do calçado.
  • Correndo atrás de novo emprego, imediatamente, pois  a sua opção era voltar para uma empresa. Considerando que o seu ex-empregador não lhe havia proporcionado o apoio de uma consultoria de recolocação, iria  à luta por conta própria, com raça e determinação.

Habituado a trabalhar com computador, visitou todos os sites que divulgam vagas nas empresas e a elas encaminhou seu currículo. Paralelamente, apelou para a sua rede de relacionamentos e agendou encontro com  os seus amigos, que trabalhavam em empresas, indo visitá-los, procurando tirar deles, o maior proveito possível.  Nessas visitas, aproveitava para pedir indicações de outros amigos, de outras empresas, que pudessem lhe dar uma “força”. Assim, JM abriu o leque e espalhou mais de cem currículos, boa parte deles, em mãos.

De posse de uma lista telefônica, páginas amarelas e ainda por Internet, identificou dezenas de agências de emprego, empresas, associações de classe, câmaras de comércio, sindicatos  e remeteu, pelo correio ou por e-mail, o seu currículo. Por intermédio de um amigo conseguiu uma listagem de headhunters, que são  consultores que fazem seleção para as  empresas que necessitam de profissionais  e não teve dúvida: mandou seu currículo para todos.

Leria os jornais de fim de semana que anunciam empregos. Essa seria também uma boa fonte de pesquisa.

JM está colhendo resultados do seu esforço. Freqüentemente recebe ligações de empresas ou de  consultorias que querem conhecê-lo e obter mais detalhes sobre sua vida profissional e sobre suas realizações. E ele ainda tem um trunfo nas mãos, caso as coisas se compliquem.  Como sempre poupou, tem reserva financeira para contratar  uma empresa de consultoria de recolocação que o ajude, caso não consiga empregar-se por seu próprio esforço. Neste caso, JM sabe  que deverá obter referências sobre a empresa que poderá contratar, uma vez que nem todas são inteiramente confiáveis.

O clima familiar não foi afetado,  desde que começou a enfrentar  a nova situação. Pelo contrário, sua esposa e  filhas, em sinal de solidariedade,  passaram a acompanhá-lo, nas caminhadas. Além disso,  JM ainda  encontrou jeito para  manter-se ocupado, realizando alguma atividade útil, fora de casa,  por algumas horas. Colocou-se à disposição de uma ONG existente no seu bairro para ajudar as pessoas a organizarem  sua vida financeira, por meio de palestras ou assessoria direta às pessoas com problemas dessa ordem. Uma vez por semana, circula pelo centro velho da cidade, área em que trabalhou durante muito anos, visitando livrarias, folheando títulos novos, no seu campo de trabalho, e passando sempre pela Biblioteca Municipal para pesquisar assuntos de seu interesse.

Ele tem um cuidado especial. Esteja onde estiver, pode ser alcançado pelo telefone celular, de maneira a não perder nenhuma oportunidade de responder a algum amigo que queira indicá-lo ou de alguma empresa que queria contatá-lo...

* Formado em Pedagogia pela USP, Darci Garçon é head hunter, sócio-diretor da TAG Consultores trabalha há 40 anos em Recursos Humanos.

03/05/06

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