No trabalho, “Complexo de Adônis” ajuda. E  muito

Autor: Darci Garçon
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Na mitologia grega, Adônis representa  o máximo em beleza masculina; tão belo que a lenda acabou por dar origem a um fenômeno chamado “Complexo de Adônis”. Complexo de Adônis  é a preocupação que o homem tem com  a aparência do seu corpo, a ponto de tornar-se dependente de exercícios físicos para buscar a sua perfeição.

Pesquisa científica realizada nos EUA*, assegura que essa obsessão afeta a milhões de pessoas no mundo todo, o que se supõe  incluir o Brasil. E, nesse caso, essa pesquisa está mais voltada ao pessoal que procura modelar-se  malhando nas salas de musculação.

Após conversa despretensiosa  com cerca de 30 corredores, passo a acreditar que boa parte, se não a maioria dos nossos amigos e conhecidos que praticam esse esporte,  podem não conhecer Adônis, mas parece que estão  procurando imitá-lo.

Pergunte a qualquer pessoa do sexo masculino, por que ela corre. O natural  é ouvir respostas que dizem respeito à manutenção da saúde ou  ao condicionamento físico. São respostas plausíveis e verdadeiras, porém,  tudo indica  que não é só por isso. A questão estética está presente também, pegando firme, ainda que ninguém a comente para não dar margem a dúvidas...

É bem verdade que correr acaba se tornando um hábito do qual não é fácil se desvencilhar, como bem posso atestar.  Mas ninguém comenta que começou a correr para se livrar daqueles terríveis pneus na região do abdome, de uma barriguinha protuberante ou da perspectiva de absorver uma aparência similar a um  saco de batatas.

Daí, entramos na história do “Complexo de Adônis”. Poucos sabem o que significa essa patologia mas todos têm a preocupação com a imagem corporal. “Ninguém confessa nem conversa sobre ela, mas  é muito comum entre homens de qualquer idade”, atesta aquela pesquisa. Mas não é só por isso. As exigências da  sociedade atual estão provocando mais cuidado com a saúde e com a aparência, fazendo objeções ao excesso de peso e valorizando o corpo enxuto, produto de exercícios físicos ou de dietas alimentares.

Você dever estar se perguntando: o que esse blá, blá, blá tem  a ver com trabalho?  Tem e muito. Vamos ver como, imaginando esta questão em uma empresa, num processo de seleção, no plano de carreira  e na motivação.

Quando você entrar na sala de entrevista, uma das  coisas que o selecionador observará é o seu estado físico. É lógico que, se você estiver carregando alguns quilos extras, irá chamar a atenção. Você poderá deixar a impressão que  está  pouco preocupado com a saúde, que é um sedentário, bom amigo do sofá e do controle remoto.  Ele poderá concluir que você está na zona do conforto faz tempo e não terá disposição para se empenhar “com tudo” no trabalho. Dependendo do seu peso, visualizará possíveis  dificuldades com atividades intensas, trabalho sob pressão,  lentidão nas suas iniciativas, nas decisões, condições que  afetarão o seu desempenho. E, pior, que você estará sujeito a doenças crônicas com todas  suas conseqüências.   Com tal perfil, as suas chances de ingressar nessa empresa podem diminuir.

Por outro lado, se você já está trabalhando e se descuidou, ao longo dos anos, deixando o peso ocupar espaço, você poderá estar menos cotado para promoções internas. As empresas querem pessoas que sejam e pareçam ativas, dispostas, cheias de iniciativa, com boa aparência e, provavelmente, interpretarão não ser o seu caso. Ou seja: terá suas chances reduzidas para posições de maior responsabilidade, prejudicando o  futuro de sua carreia profissional.

A outra questão  refere-se à motivação. A sensação de deselegância ou, sentir-se infeliz com o próprio corpo,  impactará na sua auto-estima. Mal explicando, auto-estima significa “gostar de si próprio”. Uma pessoa com auto-estima baixa está sujeita a estados de tristeza, desânimo e depressão. É óbvio que esses estados podem ser provocados por muitos outros fatores, além da deselegância.  Mas, seja qual for a causa da auto-estima baixa, isso terá impacto sobre a sua motivação para tudo, inclusive para o trabalho, deixando-o menos determinado e menos ativo. 

Há empresas  preocupadas com a  questão da auto-estima baixa  procurando implementar certos recursos para tentar reduzi-la ou eliminá-la, por que sabem que esse estado afeta  o desempenho dos seus colaboradores,   prejudica o relacionamento, dificulta a participação, o trabalho em equipe, a fluidez das comunicações. Tudo tem forte impacto sobre a produtividade e a qualidade. 

As pessoas energéticas, que trabalham motivadas, são bem vistas e valorizadas. Elas não só apresentam maior produtividade como também contagiam os seus colegas. Sem dúvida, essas pessoas têm mais  oportunidades  em qualquer empresa.  Portanto,  cultivar o Complexo de Adônis na medida certa não faz mal a ninguém.

O que fazer, então?  Dentre as várias opções (ciclismo, natação, futebol), um bom caminho será praticar corrida, um esporte que contribui consideravelmente tanto nas questões de saúde quanto de auto-estima.  Para simplificar, é um esporte barato e ele o condicionará a administrar a alimentação, reduzir o consumo de bebidas alcoólicas, parar de fumar, dormir melhor. Como conseqüência, auxiliará na perda de gordura, na redução de colesterol e triglicérides, aumentará a força dos músculos e a resistência dos ossos,  melhorará a capacidade respiratória. É fácil adquirir o hábito de correr. Basta iniciar e dar tempo ao tempo para alcançar os resultados desejados.

A iniciação na corrida requer alguns cuidados e, no início, será prudente buscar ajuda de um corredor experiente ou de algum personal trainer. Requererá paciência e disciplina, como tudo na vida.  E você se sentirá absolutamente recompensado quando cumprir o ritual final de uma prova,  passando pelo pórtico de chegada, recebendo, como prêmio, uma medalha e uma camiseta, indo ao encontro dos amigos para comentar o seu desempenho.

Completar uma prova sempre  dá a sensação de um objetivo atingido. Chegamos em casa  felizes, exibindo a medalha,  pois acabamos de sair vitoriosos de mais um desafio. Chegaremos no trabalho mais dispostos, menos estressados. Olhamos em volta e vemos dezenas, centenas de pessoas que se sentem incapazes de enfrentar os mesmos obstáculos. E ficamos orgulhosos de nós mesmos, com a bola cheia, alto astral. Com a auto estima em alta. Competitivos, como as empresas gostam. Assim, nós estamos fazendo a nossa parte...

15/12/05  -  Artigo preparado para www.incorporse.com.br de janeiro/06

*O Complexo de Adônis – A Obsessão Masculina pelo Corpo -  Ed. Campus Pope, Philips e Olivardia

**Formado em Pedagogia pela USP, Darci Garçon é head hunter, sócio-diretor da TAG Consultores trabalha há 40 anos em Recursos Humanos.

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