Eu? Demitido?

Nº. 22 / fevereiro / 09

Ninguém está livre. Pode acontecer com qualquer um que trabalhe na condição de empregado.  E esta foi a sua vez. É uma péssima notícia. Você pode até considerar que se trata de uma injustiça, afinal, você era um colaborador pontual, dedicado e sempre recebeu boas avaliações do seu chefe.

Deixemos de lado o fato de que você  “dormiu no ponto”.  Ou seja, imaginava que, por aquelas razões,  não corria risco e, se ocorressem demissões, os outros a mereceriam mais do que você.  Veio a má notícia e você reconhece que foi apanhado de surpresa, por ingenuidade ou porque estava na zona de conforto. E aí está a situação. O que fazer agora?

Inicialmente,  reconheçamos que a  “marolinha” chegou com tudo e não tem prazo para nos fazer voltar aos tempos de bonança, no qual tínhamos mais segurança e, principalmente,  mais  ofertas de emprego. O futuro é imprevisível mesmo para  profetas, gurus e gênios da Economia.  Portanto, ninguém sabe o que  acontecerá com ela  e com o mercado de trabalho, nos próximos meses.  O que fazer agora?

Reflitamos sobre dois assuntos básicos que, de imediato, nos vêm à cabeça: o primeiro, obviamente, procurar emprego. O segundo, como ocupar o tempo de maneira produtiva.

Todos sabem que procurar emprego começa com a elementar preparação de um currículo, o qual deverá exibir seus principais conhecimentos, competências e experiências. Em seguida, o mais complicado será a distribuição desse currículo, que deverá ser feita – principalmente – junto a sua rede de relacionamento.  Além disso, você deverá vasculhar os inúmeros sites de oferta de emprego, procurar as agências  ou consultorias sérias, aquelas que procuram profissionais a pedido das empresas.

Você até pode contratar empresa especializada em recolocação (outplacement), mas com muito cuidado na escolha, pois, nesse ramo há inúmeras empresas desonestas, que garantem ter emprego para obrigá-lo a assinar  contrato e depois o deixam “na mão”. Melhor conselho: jamais contrate este tipo de serviço sem buscar informações sobre a consultoria. Regra geral, os profissionais de Recuros Humanos sabem quais são as confiáveis  e poderão indicar  pelo menos três alternativas para a sua escolha.

De qualquer forma, nesse momento, começa uma longa jornada de busca que colocará em teste a sua paciência, persistência e capacidade de superar barreiras de diferentes espécies. A principal delas talvez seja o acesso às empresas, às pessoas e consultorias para entregar o seu currículo. Não será fácil, mas conseguir re-empregar-se passa, necessáriamente, por esse caminho. É muito importante você procurar os seus amigos, conhecidos e amigos dos amigos.  Você precisa ter uma maneira fácil de ser localizado. Nos dias de hoje, sem dúvida, o celular é de fundamental importância.

Você deverá gastar bastante tempo nessa atividade, todos os dias da semana. A não ser que você tenha muita sorte, nenhuma oportunidade cairá  no seu colo. A pior decisão que você poderá tomar é partir para uns dias de férias para amenizar o trauma ou optar por um período sabático, como algumas pessoas preferem se referir a “dar um tempo” para então iniciar a procura de  emprego.

Nesse ínterim, será preciso saber o que fazer com o tempo que sobra. E a primeira questão que precisa ser levantada refere-se à convivência com a família, que deverá aumentar. A esposa, ou o marido, e os filhos não estão acostumados com a sua permanência em casa o dia todo, a semana inteira. E, com certeza, dependendo das suas características pessoais (maçante, ranzinza, intolerante, perfeccionista, mania de ordem e limpeza, etc),  problemas poderão surgir. Lembro-me de um amigo que, para evitar essa situação,  saía de casa todos os dias,  como se fosse trabalhar. Eu o encontrava na Praça Antonio Prado, no centro de São Paulo,  onde fazia “ponto”, de paletó e gravata. Alí ele refletia sobre o futuro, mas também fazia contatos telefônicos para marcar entrevistas ou visitas, usando, na época,  um “orelhão”.

Há muitas coisas saudáveis que podem ser feitas em situação de transição de carreira.  Uma delas é manter-se informado sobre as notícias do momento, por intermédio de jornais e revistas.  Outra, é ler livros que tenham a ver com a profissão que você abraçou. Ir, vez ou outra, a uma livraria e conferir os lançamentos ou as publicações que dizem respeito ao seu trabalho. Ajudar os filhos nos seus deveres escolares. Dedicar-se a algum trabalho voluntário. Cumprir  a planilha de treinamento físico com mais disciplina e ganhar melhor preparo para caminhadas ou para as corridas de rua.

E, se estiver acima dos 45 anos de idade, convém pensar seriamente numa atividade alternativa como empreendedor. Descubra algo de que goste e possa fazer e que ocupe parte de seu tempo e lhe permita algum rendimento. Outro exemplo interessante: enquanto não conseguia emprego, um conhecido passou a revender várias marcas de vinho, oferecendo-as para as pessoas de seu relacionamento. As vendas cresceram mais do que esperava e acabou se estabelecendo num negócio rentável e que lhe dava prazer. Teve sucesso como vendedor, apesar de pensar que jamais conseguiria vender qualquer coisa.

O impacto da demissão tem de ser superado instantaneamente, mesmo porque as pessoas nessa condição estão sujeitas a perder o entusiasmo, a coragem e a entrar em depressão. Isto atrapalha, e muito, nos processos de seleção. Nas entrevistas, estes atributos negativos são facilmente perceptíveis e somam pontos contra na decisão que o entrevistador tomará.

Resta conferir como serão as coisas em casa. Chega o momento de ser mais tolerante e de procurar um relacionamento mais afetivo com o/a cônjuge e com os filhos. Eles precisam perceber que você precisa de ajuda e devem ser também tolerantes e lhe dar apoio, mesmo sabendo que poderão passar por dificuldades decorrentes de economia forçada mas oportuna.

Todos estamos sujeitos a percalços dessa ou de outra natureza.  Mas como a vida continua, é melhor correr atrás das oportunidades, sem descanço, pois elas não virão por conta própria.

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