Headhunter é gente como a gente

Autor: Darci Garçon
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Às vezes, tem-se a impressão  que o headhunter é visto como um personagem misterioso, cheio de segredos. Um figurão carismático, acessível apenas a alguns privilegiados. Parece ser o ente que decide sobre o futuro, a vida ou o extermínio profissional dos executivos que buscam  nova oportunidade de trabalho. A verdade é que – uns poucos, com certeza – fazem o que podem para que isso seja interpretado assim mesmo, procurando mistificar-se ou mistificar  sua ocupação.

A atividade de headhuntig guarda condições que, habitualmente, passam despercebidas pela maioria das pessoas.

A principal delas é que ele é contratado para buscar executivos, de acordo com o perfil que lhe é definido pelo cliente. Portanto, qualificações e competências, salário e beneficios são estabelecidos  pela empresa e orientarão o trabalho do consultor. Dessa forma, ele passa a ser um intermediário, executor, alguém que possui habilidades especiais para buscar o que a empresa necessita. E o perfil  é  a referencia de qualidade que balizará o seu trabalho. É claro que o headhunter pode e deve sugerir mudanças no conteúdo do cargo ou nas condições de contratação, quando isso se justificar. Mas quem manda, mesmo, é o cliente.

Assim, cabe ao headhunter identificar profissionais que tenham o perfil exigido, não podendo indicar candidatos inadequados, pois isto poderá lançar dúvidas sobre a sua competência para o trabalho a que se propõe  realizar e pelo qual não costuma cobrar pouco. Ele não pode correr riscos: uma das  regras básicas para a sobrevivência, no  mundo dos negócios, é não perder, nunca, a confiança de quem o remunera.

Identificar os candidatos que melhor se enquadrem no perfil exigido, é o atributo essencial do headhunter. Neste caso, estamos falando de conhecimentos, habilidades, competências.  Outro aspecto muito importante, é o  feeling aguçado que deverá ter para identificar pessoas que terão  empatia com a cultura da empresa e com o estilo do futuro chefe, seja na proximidade cultural,  no modo de agir, pensar ou se portar. Neste caso, estamos falando de atitudes. Aí se resume sob que condições qualquer profissional será avaliado e, portanto, se será incluido ou não   num processo seletivo.

Um fator  que agrega pontos ao  caráter místico da profissão de headhunter, diz respeito à sua inacessibilidade. Esta dificuldade advém de uma situação bastante prática: se ele  for atender a todos que querem apresentar-se pessoalmente não lhe sobrará tempo para cuidar dos projetos em andamento.  Além disso, entre outros afazeres, investe bastante tempo alimentando o seu networking.

Lembremo-nos, a propósito, dos profissionais em “transição de carreira” que se empenham em falar, pessoalmente,  com os headhunters. Eles sabem, perfeitamente, que essas pessoas estão sob pressão, buscando  nova fonte de renda ou  ocupação e sabem da anciosidade gerada por essa situação. Mas será que o contato pessoal com o headhunter é tão importante assim?  Tenho dúvidas. É mais provável que não, pois, curriculo bem feito e com conteúdo é o suficiente para chamar a atenção do headhunter.

A propósito de networking, não custa lembrar  que  ele é tão ou mais importante que o headhunter. Portanto, se você  ainda não começou a tecer a sua rede de relacionamento, faça-o logo. Networking é algo que se constrói ao longo do tempo e não quando se está em situação de “transição de carreira”. É o pilar indispensável, em  eventual plano B, para a sua carreira.

Nos últimos anos, as fusões e aquisições reduziram o número de postos de trabalho.  Além disso, a oferta de empregos, particularmente para executivos, tem sido bastante irregular, pois o país apresenta  baixo índice de crescimento. Por esta razão, não são criados novos cargos de forma a atender a oferta.  Parte das posições que surgem é para reposição e, por vezes,  buscam-se  profissionais com salários mais baixos ou para contratação como pessoa jurídica, a fim de evitar o alto custo dos encargos sociais. Assim, o tempo para  recolocação passou  a ser mais longo do que o esperado. Por fim, com a oferta maior do que a procura, as empresas passaram a refinar,  ainda mais, os processos de seleção.

Por isso, torna-se compreensível que os executivos disponíveis, e também aqueles que enfrentam dificuldades em seus empregos atuais, apresentem elevado nível de ansiedade, como mencionamos. Essa ansiedade os levam a    pensar no headhunter como a “tábua de salvação”. Isso não é verdade, pois, o headhunter não operará milagres se a leitura do  curriculo do  profissional não lhe evidenciar a presença dos  pré-requisitos estabelecidos pelo cliente ou mesmo se ele não estiver conduzindo um processo de seleção compatível naquele momento.

O headhunter é um caminho importante e, se você estiver procurando uma nova colocação, ele precisa tomar conhecimento disso. Mas, não pense que ele é o único meio para resolver o seu problema. Não pense que todos abrirão as portas para recebê-lo. Para o ritual de entrevista, deixe a ansiedade em casa e jamais inicio o diálogo perguntando como está o mercado de trabalho...

*Formado em Pedagogia pela USP, Darci Garçon é head hunter, sócio-diretor da TAG Consultores trabalha há 40 anos em Recursos Humanos.

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