Viktor Frankl e a Busca de Sentido

Autor: Darci Garçon
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26/03/07

Pode ser que os espeleólogos do Grupo já tenham ouvido falar em Viktor E. Frankl, falecido em 1.997.  Era um psicólogo judeu que esteve recolhido por 3 anos num campo de concentração, durante a 2ª guerra. A sua própria experiência e a observação do comportamento de seus colegas de “internação”, levou-o a elaborar e desenvolver a Logoterapia que é uma variante da psicoterapia, “a terceira escola vienense de psicoterapia”.

Na essência da Logoterapia está o Sentido. Todo ser humano tem que ter Sentido, o que traduzido para o mais elementar, significa: o indivíduo tem  que ter com o que se ocupar. Caso contrário, cairá no vazio existencial, tipo de neurose que se manifesta sobretudo pelo tédio.  E daí, outras conseqüências, como por exemplo, depressão, agressão, vício e até suicídio. Frankl conclui que a busca de Sentido na vida, se constitui na principal força motivadora do ser humano.

Você sabia que nos campos nazistas de extermínio a taxa de suicídio era baixíssima, apesar das condições? Sabe por quê? Porque o Sentido das pessoas – que estavam condenadas à morte - era a sobrevivência e isto as motivava a suportar todo sofrimento, desde trabalho pesado, alimentação restrita e o frio intenso, entre outras barbaridades.

Diferentemente da psicanálise, a Logoterapia, é menos introspectiva e menos retrospectiva. Não tem nada a ver com impulsos, transferência, ego, super ego, id e outros. A frustração existencial que a Logoterapia leva em conta, não é patológica nem patogênica. Nem é uma doença mental. Ela se concentra mais no futuro, ou seja, nos Sentidos a serem realizados no futuro, de forma concreta. Cada indivíduo tem a sua própria vocação ou missão específica na vida, cada um precisa executar uma tarefa concreta, que está a exigir uma realização.

Dessa forma, Frankl, considera que Sentido se dá de três formas diferentes: 1) criando um trabalho ou praticando um ato; 2) experimentando algo ou encontrando alguém; 3) assumindo determinada atitude diante do sofrimento inevitável.

E a Logoterapia?  Ela serve para ajudar as pessoas a encontrarem Sentido, preocupando-se menos com o inconsciente e mais com a realidade existencial. Pense, por exemplo, no idoso, no aposentado, num profissional em “transição de carreira” ou nesses milhares de jovens que terminam seus cursos superiores e têm uma grande expectativa de arrumar um belo emprego, ganhar uma grana e crescer na vida. A dura realidade mostrará a eles que não há empregos. Eles não têm como realizar seus sonhos. Como fica a cabeça dessas pessoas?  Esses todos, com certeza, seriam pacientes adequados do logoterapeuta.

Domenico De Masi, profeta, defensor e propagandista da vadiagem explicita*, que ele, eufemísticamente,  denominou Ócio Criativo, relata casos de executivos que trabalham 10 ou 12 horas por dia e, na sexta feira,  levam trabalho para distrair-se em casa durante o fim de semana e evitar a neurose dominical, citada por Frankl. Isso porque não sabem fazer outra coisa. No verão, da praia, pelo indefectível celular, ligam para o escritório para saber como andam as coisas. Depois, quando são mandados embora – muitas vezes porque se tornaram dinossauros – não sabem fazer mais nada. Esses serão fregueses de carteirinha ou os internos das clínicas de Logoterapia.

Finalizando, você costuma sofrer, desnecessariamente, por antecipação? Ou seja, você costuma sofrer por um evento desagradável que pode ou não ocorrer no futuro?  Se sim, você sofre do que Frankl chama de ansiedade antecipatória. Segundo ele, a maior parte destes casos tem origem em problemas sexuais. Sem contar que “o medo produz aquilo de que temos medo e a intenção excessiva impossibilita alcançar o que desejamos”. Se você é vítima da ansiedade antecipatória, também poderia ser um cliente dos discípulos do Dr. Frankl.

Quem tiver interesse em aprofundar no assunto, deve ler Em Busca de Sentido, Viktor E. Frankl, Editora Sinodal.

*Veja se você concorda com a opinião do nosso amigo De Masi: “Desde sempre o ser humano esperou trabalhar o menos possível, cansar o menos possível, sofrer o menos possível. Tudo isso ainda não foi atingido, mas estamos no caminho certo”.

**Formado em Pedagogia pela USP, Darci Garçon é head hunter, sócio-diretor da TAG Consultores trabalha há 40 anos em Recursos Humanos.

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